Lavando cumbucas

Houve um tempo na minha vida que passei lavando cumbucas, panelões e talheres, uma atividade fundamental para alimentar muitas crianças. Quando cheguei naquele lugar fiquei um pouco de receio, com medo de não aprender. Havia pessoas dispostas a me ajudar e outras nem tanto. Mas o momento em que eu mais aprendi naquele lugar, era no momento em que eu lavava as cumbucas. Naquele momento conversava incessantemente com Jeová Deus, ele me fazia refletir sobre as coisas que eu estava vivendo ali, refletia sobre as ações dos outros, mas principalmente sobre as minhas. Observava ali o que era feito, a maneira como era feito, e mais ainda o que não era feito. Afinal de contas lidávamos com vidas, e aquilo de que as vidas precisavam: alimentos. Trabalhei como merendeira por 07 meses na escola Maria Tereza Rodrigues, e foi uma experiência incrível na minha vida, pois consegui colocar em pratica um pouco do que o mestre Jesus quis de mim para honra e glória do Deus Todo poderoso que dos céus administra a minha vida. Lavando cumbucas pensava como era difícil suportar as falhas dos nossos semelhantes, e ai pensava também como era difícil aos outros também suportar as minhas falhas, e pedia a Deus que me ajudasse a com tudo isso o quanto fosse necessário, e posso dizer que a cada dia quando me encontrava ali lavando cumbucas eu me fortalecia em Deus, ganhava muito mais do que qualquer um naquele lugar e lavar cumbucas foi maravilhoso, vivificador e fortalecedor em minha vida. Certo dia, após observar que muitas crianças rejeitavam a merenda, comentei com minhas colegas de trabalho o que eu pensava sobre aquilo, e que nós deveríamos fazer algo para mudar o comportamento daqueles adolescentes, sim, porque era o publico mais adolescente quem rejeitava a merenda. Sabe o que eu ouvi das minhas colegas de trabalho? Disseram-me que se eu quisesse fazer algo a mais, seria por minha conta, porque elas não queriam mais trabalho, e que o trabalho que elas tinham já era muito, se quer quiseram ouvir ou discutir  o assunto comigo. Naquele momento senti como se um balde de agua fria caísse em minha cabeça, e pensei: tudo bem cheguei até a pensar que elas estavam certas, mas em um momento daqueles “lavando cumbucas” e conversando com Deus senti no meu coração que eu deveria por em pratica sim, o que eu pensava, nem que fosse sozinha. E assim eu fiz, no inicio não cozinhava, somente auxiliava minha colega de turno, e sempre sentia um frio na barriga ao pensar que um dia eu teria que comandar aquelas panelas gigantes sozinha. Esse dia chegou, certo dia fiquei sozinha, pois minha colega de turno teve que se ausentar, e lá estava eu no comando das panelas gigantes pela primeira vez. Fui preparada para aquele dia, queria que as crianças gostassem da merenda que eu iria preparar, apanhei alguns potinhos de fermento vazio em minha casa e os enchi com tempero baiano, folha de louro e orégano, já armada agora podia partir para a batalha confiando sempre que Deus me ajudaria. Preparei a merenda naquele dia e algumas colegas de trabalho de outros setores disseram-me que o cheiro da merenda estava exalando pelos corredores, uma delas ate chegou a me perguntar o que era a merenda naquele dia, a merenda era a mesma de sempre, mas a forma como eu a preparei é que foi diferente e naquele dia comecei a por em pratica o que eu sentia no meu coração, mais o melhor tempero colocado naquela merenda, foi o amor, e a presença de Deus literalmente me auxiliando naquele preparo saboroso. Naquele dia as crianças comeram como nunca, tive que cozinhar um pouco mais do que de costume, como me senti feliz ao ver todos apreciando a merenda que eu havia preparado, foi maravilhoso e dai em diante tomei mais coragem para por em pratica os meus planos com os adolescentes daquela escola.

Fabiana Rodrigues Oliveira
Créditos da Imagem: Que Barato

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