Nascer, crescer, e despertar a filosofia

Quando era pequeno, já sabia muito do que hoje sei, porém via as tudo de outra forma. Um dia destas, assistindo depois de muito tempo, um dos meus seriados favoritos, percebi o quanto ele era engraçado. Eu sempre o assisti, sabia que o seu intuito era fazer as pessoas rirem, mas nunca sequer aquilo me fez dar um sorrisinho. Um dia escutei uma piada, uma piada de duplo sentido, e o humor estava em sua face oculta.

Este foi o momento propício para que o compadre Washington surgisse na minha televisão e dissesse sabe de nada inocente, mas naquele tempo ele não fazia isto. Isto me serviu de lição, foi ai que pude ver que estava enganado, mas era apenas uma criança, e tudo que o mundo me dispunha era formidável, o mundo estava ai, buscava entende-lo porque isto era prazeroso, a filosofia me dava prazer, no entanto não enxergava sua real necessidade. Lembro-me de quando o Papa João Paulo II faleceu, eu sabia que aquilo não era muito bom, morrer não era bom, mas algumas pessoas morriam, algumas pessoas somente, e anos depois lendo algumas das várias obras de São  João Paulo II, principalmente uma que me chamou a atenção, um livro com seus discursos em solo Brasileiro, tive o prazer de ler e de poder dizer, que pessoas serena e doce, que perda lamentável.

Sim, eram bons tempo, um tempo em que tudo que acontecia, acontecia, e cada acontecimento era único, achava que talvez eles nunca se repetissem, se bem que até estava certo. Hoo, meu caro, bons tempos os de guri, em que o tempo não passava, em que o ano novo não significava um ano a mais corrido na sua vida, e muito menos um tempo a menos nela. O ano novo era simplesmente mágico, era um dia em que minha mãe perguntava se eu queria que ela me acordasse mais tarde para ver os fogos, como nunca gostei de dormir a noite, aceitava, e quando chegava a hora, muitas luzes se acendiam no céu, era fantástico, era um mundo sem  preocupação, era um mundo de experiências sem necessidade de lógica.

Depois cresci um pouco, vi que algumas pessoas estavam morrendo, e que elas partiam e não voltavam mais. Que saudades ainda tenho de ouvir o Lombardi anunciando o resultado parcial da Tele Sena, de muitos desconhecidos, e de familiares que pouco vi, e talvez nunca mais verei neste mundo. Sim, a morte nos faz refletir, nos faz enxergar que somos finitos, e tudo aos poucos vai tomando outro rumo, e a partir de quando você percebe esta finitude, sua curiosidade se transforma em método, e por si só vai buscando respostas. Hoje eu sei, infelizmente sei que o mundo não é uma ilusão, ele é real naquilo que podemos compreender (ou nos iludir) como parte de um mundo real. Ele é real, ao contrário da minha fantasia, ao contrário dos contos mágicos, que até hoje crio, para me anestesiar das dores de um mundo tão sofrido.

Haristom Willy F. Monção
Créditos da Imagem: Fundos Paisagens

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